Loki era um jovem de 16 anos que habitava um mundo muito curioso e relativamente pequeno, os garotos nessa idade já eram tratados como adultos e tinham dois caminhos possíveis para seguir: a colheita ou a religião, decisão essa que caberia ao xamã da vila.


Chegando ao local designado, o xamã oferece ao candidato um cachimbo preparado com o pólen das flores locais, e com isso, traça o futuro do garoto.

Loki na primeira vez que experimentou o cachimbo achou que estava conversando com um chapéu velho da estante na casa do ancião, seria cômico se não fosse trágico, de fato o xamã não tinha muito tempo para brincadeiras: seu destino era a botina.




O trabalho religioso era bem tranquilo (para não dizer entediante), Loki usava vestimentas muito pesadas, mas seus dias eram resumidos em: borrifar, borrifar pólen de flor nas entranhas da caverna local, 'acalma Deus' dizia o xamã, 'o pólen é um tributo ao grande salvador', parece que toda vez que deixavam de borrifar o tal polén alguma coisa de ruim acontecia, e realmente acontecia.


Mas o que o xamã, e muito menos Loki poderiam entender, é que o seu pequeno mundinho na verdade era apenas um membro destroçado da Grande Serpente, eram uma realidade fadada ao desaparecimento, e a tal flor era simplesmente um fármaco que retardava o inevitável: a morte celular do membro da serpente e consequente destruição de todo o seu universo.

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